sexta-feira, 26 de março de 2010

O Velho


Olhou as mãos, já cansadas, cheias de rugas, velhas.Chorou , as lembranças invadiram-lhe a mente, lembranças de um tempo que infezlimente havia se passado rápido de mais.Os braços antes tao fortes ,agora tinham de fazer força para erguer-se e vencer assim a força da gravidade.O corpo também agora levantava-se e se movimentava com extrema dificuldade, contudo mesmo fragilizado arrastou seu velho corpo até o quarto onde repousava todas as noites e sonhava novamente em ser jovem, e ali tomando em suas mãos um objeto empoeirado e também consumido pelo tempo sonhou novamente.

Eram suas velhas companheiras,suas luvas.Quis calça-las novamente sentir de novo a velha emoção, e então pôs-se a voar por suas lembranças.

O ano ao qual se transportou era 1940, sua esposa Eulália aguardava teu primeiro herdeiro,certamente estava muito feliz,sua vida estava em constante ascensão naquela época e na noite seguinte teria uma das lutas mais importantes de toda sua carreira de pugilista, disputaria finalmente o título mundial dos super penas.E que luta foi aquela!Todos adorariam ver aquele homem negro cair sangrado, feito um porco em cima do ringue,mas certamente isso não ocorreria aquela noite, de forma alguma. Foram doze assaltos, ambos estavam exaustos e de certo aquele irlândes sabia lutar e socava como se tivesse a força de mil touros, ou melhor dizendo de um elefante, um elefante branco e de olhos vermelhos bufantes, assim como a grande maioria da plateia presente aquela noite. Oscar se sentia muito sozinho ali, mas...sua esposa Eulália estava gravida e seria mutio bom ganhar aquela luta para poder arcar com as despesas que traria seu novo filho.

Oscar aprendera mais sobre boxe, com seu corner doque com qualquer treinador que teve em toda a sua vida.Apredera que se um lutador quer ir par esquerda, ele vira o calcanhar para direita,que a movimentação dos ombros indica a altura e para que lado o adversário irá disparar o soco, se está cansado ou intimidado mantém a luta a distancia, ma isto também pode ser um truque para atraí-lo mais para perto e assim poder enrrasca-lo, aprendera que a regra número um era sempre se proteger,principalmente se quisesse sair vivo dali, e naquela noite sairia mais que vivo ,sairia vencendor.E foi, ganhou a luta nos ultimos minutos do último assalto com um nocaute conquistado por um cruzado de esquerda que acertou em cheio o touro irlândes.Ah!que luta, lembrou-se o agora velho lutador.

Retirou as luvas e começou a refletir , não era justo que agora ao final de sua vida vivesse reclamando a todo tempo, a vida havia sido dura com ele sim, mas também lhe reservou muitos momentos alegres.Seu filho que infelizmente já partira desta vida ,havia lhe dado netos e bisnetos ,ao qual contou histórias e lhes ensinou o pouco que sabia da vida, sua nega ,como sempre ele chamou Eulália, também não mais se encontrava consigo mais lhe mostrou e permitiu viver o amor.Vivia agora com seu neto, sua respectiva esposa e seus bisnetos, não havia mais nada da vida a fazer doque apreciar agora a convivência com seus,pois já estava velho de mais para qualquer outra coisa, o tempo o havia vencido e contra esse adversário não adiantava dar socos nem tão pouco tentar esquivar-se.

Oano atual é 2010, e as luvas que a pouco vestiam a mão de Oscar ,haviam escorregado e caído ao chão,até que seu bisneto chegou ao quarto e as apanhou, olho-as e perguntou:

_São suas vovô?

_São meu filho.

_Nossa!O senhor lutava?

_Sim, e fui campeão!Seu pai nunca lhe contou?

_Não.

_Então sente aí que vou lhe contar

Assim o velho começou a contar suas histórias e redescobriu,que sempre pode se viver novamente através dos olhos de uma criança.

Um comentário:

Edgard ♠♦O Pierrot♥♣ Antonello disse...

Ascenção e que da de um boxeador... fantástico... adorei a ambientação. Parabéns.

Caro Dil,como gostou tanto do último texto, resolvi avisar sobre a postagem de um capítulo final...

Saudações do Pierrot.